O painel "A Nova CVM: o que muda para o mercado, as empresas e os investidores?", no Expert XP em 25/07, reuniu o presidente Otto Lobo e os diretores João Accioly e Igor Muniz.
Otto Lobo foi direto: "É uma entrega para o País, não podemos mais atrasar essa reforma do mercado de capitais." Ele também deixou uma frase que resume bem a filosofia da nova gestão: "Não é a CVM que diz para onde vai o mercado, é o mercado que sabe onde vai fazer investimentos." Isso vem junto do reforço de que a CVM está em diálogo direto com outros reguladores e com empresas de tecnologia, para desenhar o modelo de regulação de tokenização a partir da necessidade real do mercado, não de um desenho pronto de cima para baixo. A meta declarada é sair do sandbox regulatório e caminhar para operações tokenizadas de fato.
O argumento mais forte da tarde veio de Accioly: "Ao invés de termos que restringir produtos para determinados investidores, dada a capacidade de olhar quando temos problemas, podemos ter produtos mais acessíveis a todos." Na prática, ele está dizendo que a régua de acesso a produto no mercado de capitais historicamente foi calibrada pela capacidade de fiscalização, não pelo risco do produto em si. Se a supervisão melhora com o uso de inteligência artificial nos próprios procedimentos, como Lobo também mencionou, essa régua pode se mover: menos restrição de público, mais responsabilidade de monitoramento do lado do regulador.
Igor Muniz também esteve no painel, prestigiando a discussão.
Vale lembrar que o GT de Tokenização, citado no evento, já tratamos aqui mais cedo com a Portaria CVM/PTE 177.
Compartilhem se concordam com a lógica de Accioly, capacidade de supervisão deveria abrir o acesso a mais produtos, ou existe um limite nisso que vale a pena discutir.
Fontes
- CVM (evento) — Membros do Colegiado participam de evento e debatem a nova CVM — CVM — link