O caso Apex Partners mostra algo que todo comitê de auditoria deveria levar a sério: ter estrutura formal de governança não garante que a informação certa chegue a quem precisa dela.
Em 6 de agosto, o conselho de administração afastou o fundador e presidente Fernando Cinelli e o diretor financeiro Eduardo Siqueira, depois de identificar internamente inconsistências financeiras próximas de R$ 1 bilhão. Marcelo Murad, sócio sênior com mais de 25 anos de mercado, assumiu a presidência interina.
Segundo cobertura jornalística, o próprio grupo admitiu em petição judicial que existia conselho fiscal não permanente e comitê de auditoria, criados em assembleia de abril deste ano. A estrutura estava no papel. Não foi suficiente para captar a tempo a omissão de informação por parte do fundador. A Justiça do Espírito Santo concedeu depois medida cautelar de 60 dias suspendendo a execução de dívidas e garantias do grupo.
Não há alerta oficial da CVM identificado até agora sobre o caso especificamente, então o que se sabe vem de cobertura de imprensa. Ainda assim, o fato de governança em si já sustenta uma reflexão prática.
Dever de diligência e dever de informar dos administradores não são cláusulas de manual. Um comitê de auditoria só funciona se tiver acesso direto às informações que precisa avaliar, sem depender da boa vontade de quem está sendo avaliado. O mesmo vale pro conselho fiscal. Existir no organograma não é o mesmo que ter poder real de checagem independente.
Pra quem estrutura controles internos, o aprendizado prático é simples de enunciar e difícil de executar. Segregação de funções e matriz RACI precisam prever o cenário em que a própria liderança é a fonte do risco, não só a executora dos controles. Canal de denúncia independente, teste periódico de aderência dos comitês e trilha de evidência de reporte à diretoria são o que separa uma estrutura de governança que funciona de uma que só existe no papel.
Compartilhem como a área de vocês testa se os comitês têm acesso de verdade à informação, não só existência formal no organograma.